As três fiandeiras
João e Maria
Cinderela
O ganso de ouro
Rapunzel
O Pequeno Polegar
Branca de Neve
O Príncipe Sapo
Chapeuzinho Vermelho
O Príncipe Sapo
Antigamente, quando os desejos ainda se cumpriam, havia um rei cujas filhas eram todas formosas. Mas a caçula era tão bonita que até mesmo o sol, que já vira muitas coisas na vida, se maravilhava sempre que brilhava sobre ela. Perto do castelo real havia uma floresta sombria onde era possível encontrar um poço sob uma velha árvore. Em dias muito quentes, a filha do rei ia à floresta e sentava à beira do poço de água fresca. Para matar o tempo, levava uma bola dourada, que jogava para cima e pegava quando ela caía. Esse era seu passatempo preferido.

Um dia, porém, em vez de cair de volta na pequena mão da moça, a bola caiu no chão, perto do poço, e rolou para dentro dele. A filha do rei seguiu a bola com os olhos, mas o poço era profundo, tão profundo que não dava para ver seu fundo. Então ela começou a chorar, e chorou e chorou desconsoladamente. No meio do choro, ouviu uma voz:

– Por que chora, filha do rei? Suas lágrimas derreteriam um coração de pedra.

Quando ela procurou o dono da voz, não viu nada exceto um sapo esticando a cabeça feia e grosseira para fora da água.

– Oh, é você, velho sapo desengonçado – ela disse. – Eu choro porque minha bola dourada caiu no poço.

– Não se preocupe, não é preciso chorar – o sapo respondeu. – Eu posso ajudar. Mas o que você me daria em troca da bola?

– O que você quiser, querido sapo – ela respondeu. – Você pode ficar com qualquer uma das minhas roupas, minhas pérolas e joias, ou mesmo com a coroa de ouro que estou usando.

– Roupas, pérolas, joias e coroa não são para mim – o sapo retrucou. – Mas, se você me amar e me aceitar como companheiro de brincadeiras e se me deixar sentar à mesa, comer do seu prato, beber de seu copo e dormir em sua caminha, eu mergulharei na água e trarei a bola de volta.

– Sim! – ela respondeu. – Prometo tudo isso, o que você quiser, se você me trouxer minha bola.

Contudo, ela pensou: “Que pedido absurdo! Como se ele pudesse fazer algo além de sentar na água e coaxar com os outros sapos, como se pudesse servir de companhia a alguém”.

Assim que ouviu a promessa, o sapo caiu na água e mergulhou até fugir de vista. Após alguns instantes, ele voltou à superfície com a bola na boca e jogou-a na grama. A filha do rei ficou extasiada ao rever seu lindo brinquedo, que tomou nas mãos antes de sair correndo.

– Pare, pare! – o sapo gritou. – Leve-me junto. Eu não consigo correr tão rápido assim!

Mas foi inútil. Por mais que o sapo coaxasse, a moça não queria ouvi-lo. Ela correu para casa e logo se esqueceu do pobre sapo, que teve de voltar para o poço.

No dia seguinte, quando a filha do rei estava sentada à mesa com o pai e toda a corte, comendo de seu prato de ouro, ouviram-se ruídos de passos na escada de mármore e então uma batida na porta, seguida de uma voz que berrava:

– Caçula do rei, deixe-me entrar!

A moça se levantou e correu para ver quem era, mas, quando abriu a porta, viu o sapo sentado lá fora. Então ela fechou a porta com pressa e voltou a sentar-se, sentindo-se muito apreensiva. O rei notou como o coração da filha batia rápido e disse:

– Minha filha, do que você tem medo? Há um gigante à porta pronto para levá-la daqui?

– Oh, não – ela respondeu. – Não é um gigante, mas sim um sapo horrendo.

– E o que o sapo quer? – o rei perguntou.

– Oh, papai! Ontem, eu estava sentada perto do poço brincando com a minha bola quando ela caiu no poço. Então, depois de me ver chorando por tê-la perdido, o sapo buscou-a para mim com a condição de que eu o deixasse ser minha companhia, mas eu nunca pensei que ele fosse deixar a água e vir atrás de mim. Agora ele está lá fora e quer entrar para ficar comigo.

Então todos ouviram o sapo bater à porta pela segunda vez e dizer:

O que agora esqueceu

A caçula do rei prometeu.

Não se faça de mosca

morta Abra logo essa porta!

– Você tem de cumprir o que prometeu – o rei disse. – Deixe-o entrar.

Ela abriu a porta e o sapo saltitou para dentro, seguindo cada passou dela, até chegar à cadeira. Então ele parou e disse:

– Levante-me para que eu possa sentar com você.

Ela não fez isso até que o rei ordenasse. Quando foi colocado na cadeira, o sapo quis ir para a mesa, e lá ele sentou e disse:

– Agora aproxime um pouco o seu prato para que possamos comer juntos.

E assim ela fez, mas todos podiam ver como estava relutante. O sapo comia com vontade, enquanto cada pedaço de comida parecia ficar entalado na garganta da moça.

– Já comi bastante – disse o sapo, finalmente. – E, como estou cansado, você deve me carregar até o seu quarto e aprontar a cama. Nós nos deitaremos juntos e iremos dormir.

Então a filha do rei começou a chorar, pois estava com medo do sapo gelado, medo de que nada o deixasse satisfeito. Ele queria dormir em sua cama limpa e bonita! Irritado com seu comportamento, o rei disse:

– Você tem de cumprir aquilo que prometeu em um momento de necessidade.

Então ela pegou o sapo com o dedo indicador e o polegar, levou-o para o quarto e colocou-o em um canto. Quando já estava deitada, preparando-se para dormir, o sapo rastejou cama acima, dizendo:

– Estou cansado e quero dormir tanto quanto você. Coloque-me na cama ou eu contarei tudo ao seu pai.

Possessa de raiva, ela o pegou e o arremessou com toda a força contra a parede, gritando:

– Agora fique quieto, seu sapo horroroso!

Porém, ao cair, ele deixou de ser sapo e se transformou de repente em um príncipe com olhos belos e doces. E aconteceu que, com o consentimento do pai da moça, eles se casaram. O príncipe contou a ela como uma bruxa má o havia enfeitiçado, e como ninguém exceto ela poderia libertá-lo. Disse-lhe também que os dois iriam para o reino do pai dele.

Então chegou à porta uma carruagem guiada por oito cavalos brancos, com plumas brancas na cabeça e arreios de ouro, e nela estava o fiel Henrique, o empregado do jovem príncipe. Henrique sofreu tanto quando seu mestre foi transformado em sapo que teve de colocar três bandagens de ferro no coração, para impedi-lo de explodir de angústia. Quando Henrique ajudou o casal a subir na carruagem e esta se pôs a andar, levando o príncipe de volta a seu reino, ele se encheu de alegria. Depois de terem percorrido parte do caminho, o príncipe ouviu um barulho na traseira da carruagem, como se algo tivesse quebrado. Ele se virou e gritou:

– Henrique, a roda deve ter quebrado.

Mas Henrique respondeu:

Foi o curativo de um coração sofrido

Por causa de meu mestre querido.

Quando sua perda chorei,

Com ele a dor estanquei.

Mais duas vezes ouviu-se o mesmo som, e a cada vez o príncipe achou que era a roda quebrando, mas eram as outras bandagens do coração do fiel Henrique que se soltavam porque agora ele estava muito aliviado e feliz.

© alguemsemnome,
книга «Contos de fadas».
Chapeuzinho Vermelho
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